Urashima Taro

Há muito tempo, existia um rapaz chamado Urashima Taro. Um dia, ele estava caminhando pela praia e se deparou com um tumulto de crianças. O rapaz viu que as crianças pegaram uma tartaruga e começaram a bater e a maltratar o animal. 
Urashima Taro disse: "Não se deve praticar tamanha crueldade!"
As crianças responderam: "Não importa, nós a capturamos!" e não queriam ouvir.
Urashima Taro disse: "Então vendam essa tartaruga para mim!" e comprou a tartaruga.
Ele acariciou as costas do animal, disse-lhe que não seria capturado novamente e devolveu-o ao mar.
Passaram-se dois ou três dias, e quando Urashima Taro saiu para pescar como sempre, ouviu alguém chamá-lo pelo nome.
Quando olhou para trás, viu uma tartaruga gigantesca que veio nadando próximo ao barco, e fez-lhe uma breve saudação.
A tartaruga disse: "Obrigada por ter salvado minha vida; como agradecimento, eu gostaria de convidá-lo para conhecer o palácio do fundo do mar" e pediu para Urashima Taro subir em suas costas. 

A tartaruga levou-o para o fundo do mar, onde surgiu um grandioso portão pintado de vermelho, azul e amarelo.
A tartaruga disse: "Aquele é o portão do Palácio do Rei Dragão (龍宮城 Ryūgū-jō)."
Chegando ao palácio, os pargos e os linguados guiaram-no até o fundo do belo lugar que era de encher os olhos, pois era todo enfeitado com lindas conchas e pedras.
A princesa agradeceu-o por ter ajudado a tartaruga e pediu-lhe para se divertir, pois trouxeram-lhe vários banquetes.
Os pargos, os linguados e os polvos começaram a bailar.
Estava tão divertido que o tempo passou e Urashima Taro acabou se esquecendo de voltar para sua casa; ele vivia feliz no palácio.

Mas quando pensava em seus pais, sentiu vontade de voltar para sua casa. Um dia, Urashima Taro disse para a princesa: "Muito obrigado pela cortesia, mas não posso ficar por muito tempo aqui, preciso ir embora."
A princesa pediu-lhe para não ir, mas como o rapaz insistiu, ela disse: "Então vou lhe dar essa caixa como uma lembrança, mas não deve abri-la em hipótese alguma" e deu-lhe uma bela caixa.
Urashima Taro levou consigo o belo presente e, montando em cima da tartaruga, voltou para a terra.
Chegando à mesma praia, ele ficou espantado.
O vilarejo mudou completamente e a casa onde ele morava havia desaparecido. Seus pais haviam falecido e não havia ninguém conhecido.
Carregando a caixa debaixo do braço, ele andou pelo vilarejo como se estivesse dentro de um pesadelo.


Então, ele teve a ideia de abrir a caixa que a princesa alertou para não fazê-lo, mas esquecendo-se do aviso e com a esperança de acontecer algo, abriu a tampa da caixa.
Ao abrir a caixa, subiu uma fumaça branca em seu rosto.
Seu cabelo enbranqueceu e seu rosto enrugou. Ele se transformou em um idoso. 


Muito obrigada a Sonoko Akamine por compartilhar esse conto. 


Rosa Miyake canta Urashima Taro (anúncio da extinta Varig, 1968): A história foi utilizada no Brasil na década de 1960, em campanha publicitária da Varig para promover os primeiros voos diretos entre o Rio de Janeiro e Tóquio. A campanha, foi produzida pela Lynxfilm e criada por Ruy Perotti. A música-tema cantada por Rosa Miyake ficou famosa em todo o Brasil.

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